Noite aterrorizante
Eu e a turma resolvemos acampar naquele verão. Estávamos muito animados. Só faltava escolher o lugar. Resolvemos fazer uma votação, vários lugares foram votados, mas tinha que ter escolhido justamente a Floresta da Pedra Azul, um lugar cheio de mistérios e onde dizem ser assombrados por vários espíritos. É claro, eu não votei nesse lugar, preferia o campo do Tatu-galinha, mas fui vencido, agora não poderia voltar atrás com minha palavra.
Nós fizemos a votação e a avisamos ao resto da turma, todos gostaram da idéia. No dia da viagem todos estavam contentes, só eu que estava um pouco amedrontado. Era uma turma de trinta e cinco pessoas, o que me deixou um pouco mais aliviado. Uma hora depois, chegamos à grande floresta, um pouco afastada da cidade. Era cheia de gigantescas árvores e por isso um pouco escura, mesmo com o sol brilhando bastante.
Quando desci do ônibus, pensei: “Nossa! E agora, o que vou fazer, em que fui me meter?”, mas agora já era. todos começaram a armar as barracas e além de mim, na minha tinha mais três amigos: Vagner, Ricardo e meu melhor amigo Miguel. Passamos a manhã inteira armando a barraca. À tarde eles saíram para olhar a mata, mas eu fiquei com um pé atrás e resolvi ficar na barraca. Se à luz do dia eu já estava daquela forma, imagina quando anoitecesse.
No fim da tarde todos no acampamento foram procurar lenha para fogueira, só eu que continuei lá sozinho. Ao anoitecer me veio uma aflição e angústia por causa do meu medo; eu pensava: “Poxa, onde eu fui me enfiar? Em que buraco você foi se meter André?”. Eu estava com muito medo, mas à noite todos se sentaram a frente da grande fogueira e por alguns momentos havia esquecido do lugar em que estava, mas por pouco tempo. Ricardo tinha que começar a contar histórias de terror e depois das dele vieram várias outras e comecei a colocar aquilo na cabeça e a ficar com bastante medo. Quando não aguentei mais, fui correndo para a barraca. Então percebendo minha aflição, Miguel também foi para a barraca e lá dentro me perguntou se estava com medo e respondi que estava um pouco, daí ele ficarou comigo na barraca para que eu não ficasse mais com medo. Então, fomos jogar um jogo de tabuleiro, um dos meus preferidos. Não demorou muito e todos se recolheram em suas barracas; Vagner e Ricardo logo chegaram a nossa e então, fomos dormir.
Eu não consegui dormir direito, só cochilava e acordava até que no meio da noite ouvi um grito aterrorizante em que me arrepiei todo e me perguntei: “O que será aquilo?”. Escutei novamente o grito aterrorizante, então, mesmo com medo, resolvi sair da barraca e olhar o que era. Saí de fininho para que ninguém acordasse, pois aquele era o meu momento de coragem.
Quando saí, olhei por todos os lados e não vi nada, mas eu estava muito perto das barracas, eu achava que a coisa que gritava não chegaria tão perto assim, então me afastei um pouco e continuei a não ver nada, quando de repetente ouvi o grito bem atrás de mim, pensei logo que era um espírito maligno querendo me pegar como nos filme de terror, mas quando olhei assustado não vi nada. Só vi a lua cheia e brilhante, só que quando olhei direitinho vi um vulto passar por mim e dá o grito aterrorizante; arrepiei-me todo e quase fiquei sem voz, só que aquele vulto era meio estranho para um espírito, ele não parecia humano, mas sim um pássaro.
O vulto foi em direção a clareira. Pensei em voltar para a barraca, mas pensei direito e disse:”Já que eu estou aqui, vou até o fim”. E entrei na clareira no meio das árvores. Na barraca, Miguel acordou e deu por minha falta e também acordou Vagner e Ricardo, dai os três resolveram ir a minha procura. Enquanto eles me procuravam, eu procurava a criatura do grito. Andei muito mata adentro e nada, até que de repente, escutei um grande barulho, pensei que fosse a coisa que eu procurava, mas não era. Eram sim meus amigos também perdidos e me encontraram através de um atalho. Queriam que eu voltasse com eles e convenci-os a procurar a “coisa” comigo.
Após andarmos bastante, já estávamos cansados de procurar e não ter nenhuma pista. Quando já estávamos quase desistindo, escutamos novamente o grito e fomos em direção dele. Escutando direito, ele nos levou até a grande pedra que dá nome a floresta. Ao lado da pedra havia uma enorme árvore da qual um grande grito saiu dela, ou melhor, da coisa que estava nela. Na hora, arrepiei-me todo por ficar tão perto da coisa e não só eu, mas também os outros, que sentiam o medo naquele momento; eu acho que eu era o mais corajoso dos quatro. A “coisa” veio em nossa direção e pensávamos que era um monstro, mas o dia começou a clarear a vimos a “coisa” direito e nos surpreendemos.
Era um grande pássaro com as sete cores do arco-íris e com aquele grito que eu achava aterrorizante. No mesmo momento o sol apareceu no céu com um lindo brilho e fez a pedra brilhar lindamente com um forte azul-claro que parecia o azul do céu. E naquela hora um grupo do acampamento chegou para nos resgatar; queríamos ter mostrado o pássaro a eles, mas ele já havia sumido e a pedra tinha parado de brilhar.
Depois de ter voltado para o acampamento, voltamos também para a cidade. Por nossa culpa todos tiveram que ir só que acima de tudo, a culpa havia sido minha, por eu ter saído para ver a “coisa” que gritava.
A floresta da Pedra Azul tinha fama de ser assombrada por causa de gritos aterrorizantes que saiam do bico de um pássaro lindo e raríssimo. Eu nunca me esquecerei daquela noite aterrorizante que se tornou o amanhecer mais lindo da minha vida. (NAILSON PEREIRA DA SILVA , 3ª “A”)
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